Publicado por: camylanogueiracardoso em: janeiro 18, 2010
Os primeiros dias depois da chegada da Isabella foram bem cansativos. Eu estava eufórica, então, não conseguia ficar sossegada, deitada, como a maioria das mulheres que têm bebês fazem. Ficava andando na casa de lá para cá. Sentia meu corpo desinchando, voltando a ter mobilidade mesmo. Além do mais, depois de tudo que passei , queria mostrar força. Uma força que eu tenho que ter para o resto da minha vida.
Eu achava que não ia precisar da ajuda da minha mãe e a vida me mostrou o quanto errada estava. Aliás, precisei das minhas duas mães: a minha e a tia Evarista. Os primeiros banhos da Isabella foram dados pela tia Evarista, depois, eu é quem tomei as rédeas e sinceramente, adorei!!! Acho que passei uns cinco dias sem dormir, só ficava cuidando e olhando a minha cria. Na verdade, faço isso até hoje, rsrsr. Às vezes, de madrugada, é bom demais ficar sentada em frente ao berço olhando aquela belezinha, pura, inocente e com uma vida inteira pela frente.
Não achei nada complicado, porque funcionou assim: eu cuidava da Isabella e as minhas “amas” cuidavam de mim. Minha mãe por conta da casa e a tia por conta da comida. Confesso que comi muito bem no meu resguardo. Sopinha feita na hora, pãozinho com queijo, ah… quanta mordomia!!! Na minha família, funciona assim: quando uma mulher tem filho, sempre tem outra que vai ajudar. No meu caso, a tia Evarista é quem foi nosso anjinho da guarda. Depois de cuidar de quatro filhos e sete netos, não existia pessoa mais qualificada pra ficar com a gente. Depois que a Isabella nasceu, passei a olhar minha mãe com outros olhos. Quando eu estava em casa, ela fazia tudo pra mim. Quando fiquei internada, ela fez mais do que pôde. E depois que minha filha nasceu também. Agradeço a Deus todos os dias por ela existir na minha vida. Mas voltando à rotina de mãe. Nos primeiros dias, foram as descobertas. Fazer mamar de forma correta. Lembrar que tem que trocar fraldas (juro que eu esquecia), dar banho. Achei que fosse dar muito trabalho, mas percebi que os cuidados são simples. Apenas repetitivos.
A Isabella nasceu bem pequena, dois quilos e seiscentos. Mas esse “tamanhozinho” não me assustou. O mais complicado eram as noites. Ela acordava bastante e muitas vezes eu nem sabia o que estava fazendo de tanto sono. Não dormia à noite e também não dormia durante o dia. Depois do primeiro mês, ela passou a dormir praticamente a noite toda e aí consegui descansar. Acho que a gente fica cansado mesmo por causa da tensão em querer fazer tudo da forma correta. Algumas visitas fizeram muito barulho em cima da Isabella e isso estressava a criança e eu também. Fora ela ficar passando de colo em colo. Isso me fez passar mal de tanta agonia.
Fiz tudo exatamente como o médico e minha tia e minha mãe me orientaram. Mesmo assim, descobri que mães de primeira viagem recebem uma chuva de críticas, mesmo tentando fazer o melhor. “O umbigo não estava sendo curado da forma correta, dar chupeta é um absurdo, ela está assada ( mesmo melecada de tanta pomada!!!), as meias não são de algodão, etc, etc, etc”. As pessoas deveriam definitivamente entender que uma gravidez demora, pesa, dá enjôos, o parto às vezes é complicado, o que foi o meu caso, depois do nascimento ficamos estressadas. E com isso, queremos descanso também para as nossas cabeças. Descobri que quem mais dá palpite são os que nunca ajudam.
As filhas dos meus primos (sim, são muitas mulheres na família) estão grandinhas e sinceramente, achei lindo o carinho delas com a Isabella. Sempre gostei muito de crianças, por isso prestei mais atenção nelas. No primeiro mês, minha Isabella não ganhou muito peso, mas no segundo, tudo foi dando certo e ela engordou bastante, ficando com o peso desejado. Agora, prestes a completar três meses, consigo entender todos os sinais e o que não dá pra entender, vai por eliminação. Mas conheço bem o choro por manha, choro pra ficar no colo, choro de dor mesmo, sono, cólicas… Agora, ela já começa a sorrir. É só conversar com ela e já começa a sorrir. E aí é que penso: meu Deus, estou frita, vou passar o dia olhando esse rostinho lindo!!!!rsrsrs. E amamentar? nossa, é um momento muito bom, só eu e ela. Acho que todas as mães tem por obrigação amamentar. Quem nunca amamentou, com certeza não sabe respeitar quem quer ficar a sós com o filho, aproveitando esse momento que não volta nunca mais. Enfim, agora sei pra que os peitos servem, rsrs.
Mas gente, é muito engraçado. Um dia, perto do filho da gente, parece passar muito rápido. Daí, você começa a ter noção de que a vida é curta. Antes da Isabella, nem me importava com a minha vida. Se morresse amanhã, ok, vivi. Hoje não. Preciso estar viva. Trabalhar, ter mais, ser mais. Tenho alguém que precisa ser sustentada, educada, orientada. E isso pra mim é o verdadeiro sentido da vida: poder cuidar de outro ser humano. Os valores mudaram. O que era importante mudou também. A prioridade é ser uma pessoa melhor, pra dar o melhor exemplo. Muitos deixaram de ser amigos. Muitos amigos agora são família.
A casa tem uma luz inexplicável… E eu finalmente consegui me unir à minha família. Tudo isso, graças à Isabella. Se ela e as dificuldades que passei durante a gravidez não tivessem existido, eu não teria tido a oportunidade de enxergar a vida com outros olhos. De dar valor aos que estão do meu lado, porque só eles merecem isso. Minha família se superou em carinho, amor e companheirismo. Se já éramos felizes, hoje somos imensamente mais. E tudo isso, por causa de uma pessoinha linda, que só tem três meses, mas parece que sempre fez parte de nossas vidas e se chama Isabella Cardoso Auad.